História para alunos

Revolução Industrial e Socialismo

Posted on: fevereiro 10, 2011

A Revolução Industrial.

 

Entende-se  por  Revolução  Industrial  um  conjunto  de  inovaçõestécnicas que acabaram resultando na substituição da ferramenta  pelam á q u i n a e  propiciando  a  passagem  do  ar tesanato  manual para  aprodução industrial concentrada nas fábricas.

A  Revolução  Indust r ial   foi   um  processo  decisivo  para  oestabelecimento da sociedade capitalista – sociedade caracterizada pelaprodução de bens materiais. Uma classe detém os meios de produção,isto  é,  máquinas,  terras,  fábricas;  outra  classe  vende  sua  força  detrabalho  em  troca  de  um  salário  e  realiza  o  trabalho  de  produção.  Aprimeira classe é a burguesia – que além dos meios de produção, possuio  capital  e  a  segunda  classe  é  formada  pelos  p r o l e t á r i o s.  Com  odesenvolvimento destas duas  classes  teremos  o  início de um  conflito,denominado luta de classes.

O  processo  da Revolução  Industrial  começou  na  Inglaterra,  queapresentava uma série de condições, que iremos analisar a seguir.

A Revolução Industrial na Inglaterra.

Vários são os fatores que explicam o início da revolução Industrialna Inglaterra.

UMA REVOLUÇÃO AGRÍCOLA

A  Revolução  Industrial  inglesa  foi  precedida  por  uma  revoluçãoagrária. Desde o final da Idade Média, a agricultura inglesa passava porprofundas modificações, graças a substituição da produção em pequenaspropriedades, voltada para o mercado local, por uma produção em largaescala;  para  atender  o  mercado  externo,  realizada  em  grandespropriedades.

Durante o reinado de Elizabeth I, o comércio de lã teve um grandedesenvolvimento.  Para  a  produção  de  lã  era  necessário  aumentar  aspassagens,  necessidade  suprida  pelas  leis  de  cercamento.  Com  oscercamentos  os  pequenos  proprietários  e  camponeses  tiveram  suasterras usurpadas, sendo expulsos para as cidades, transformando-se emforça de trabalho para a indústria nascente.

Nem todas as grandes propriedades surgidas com os cercamentosdedicavam-se  à  criação  de  carneiros,  havia  aquelas  especializadas naprodução de alimentos para o abastecimento das cidades, que cresciamcada vez mais.

Para  controlar  e  obrigar,  os  expulsos  do  campo,  a  aceitarem  asduras condições de trabalho, em 1601 foi assinada as leis dos pobres,que  consideravam  crimes  o  desemprego  e  a  mendicância;  obrigandoesta  camada  a  trabalhar  nas  chamadas  “oficinas  de  caridade”,  queabasteciam com mão-de-obra as manufaturas inglesas.

FATORES DE ORDEM ECONÔMICA.

A  Inglaterra  foi, ao  longo dos  séculos XVII e XVIII, a nação quemais  acumulou  capitais.  Este  processo  de  acumulação  de  capitais  foipossível,  graças  à  expansão  da  atividade  comercial  –  que  gerou  umamplo mercado consumidor (a Revolução Comercial). A partir do reinadode  Elizabeth  I  (1558/1603)  há  uma  expansão  dos  domínios  coloniaisingleses. Nas colônias do sul na América do Norte, a Inglaterra adota aprodução  de  algodão  em  grandes  propriedades,  para  abastecer  asmanufaturas inglesas.

Outro  fator  de  ordem  econômica  foi  a  decretação  dos  Atos  deN a v e g a ç ã o (1651)  que  serviu  para  eliminar  a  concorrência  dosholandeses na indústria têxtil e no comércio marítimo. Desta forma, osprodutos  ingleses  at ingiam  todas  as  par tes  do  mundo,   sendotransportados por navios ingleses.

FATORES DE ORDEM SOCIAL.

Como  se  viu,  com  os  cercamentos  há  um  processo  de  expulsãodos  camponeses e dos grandes proprietários do  campo, auxiliando nacomposição  de  uma  mão-de-obra  disponível  para  as  indústrias.  Estacamada, inteiramente desprovida de bens materiais, passa a vender suaforça  de  trabalho  para  os  donos  das  fábricas  –  surgindo  assim  osproletários.

FATORES DE ORDEM POLÍTICAS.

Desde  o  século  XVII  (  Revolução  Gloriosa  –  1688  )  a  burguesiainglesa  controlava  o  Estado  e  impunha  diretrizes  políticas  parasatisfação de seus interesses econômicos.

CICLO DE INVENÇÕES.

A  invenção  auxilia  o  aumento  da  produção,  contribuindo  para  ageração de capitais – investidos em outras invenções, gerando aumentoda  produção  e,  conseqüentemente   mais  capitais,  resultando  novasinvenções, e assim por diante.

A  revolução  técnica  começou  na  fabricação  de  algodão,  quandoJohn  Kay,  em  1733,  inventou  a  lançadeira  volante,  aumentando  acapacidade  de  tecelagem.  Em  1767,  James  Hargreaves  inventou  afiadora Jenny, aumentando a produção de fios e, Richard Arkwright, em1769 a aperfeiçoou.

Em  1785,  Edmund  Cartwright  inventou  o  tear  mecânico  e  odescaroçador  de  algodão  foi  inventado  em  1769  por  Whitney.  Nestamesma época (1769), James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor.

Devemos  ressaltar  que  as  máquinas  acima  eram  de  metais,estimulando  a  siderurgia.  As  máquinas,  por  sua  vez,  funcionavam  avapor,  sendo  necessários  investimentos  em mineração  (técnicas  paraprodução de carvão).

A utilização das máquinas exigia a concentração dos trabalhadoresnum só local, surgindo assim as fábricas.

As conseqüências da Revolução Industrial.

A Revolução  Industrial  trouxe várias mudanças na economia, nasociedade, na política e na estrutura da ideologia.

Para começar, a Revolução Industrial patrocinou uma verdadeirarevolução  nos  transportes. Com  o  aumento  da  capacidade  produtivahouve  uma  enorme  necessidade  de  transportar  as  mercadorias  commaior  rapidez  –  transporte  de  matérias-primas  para  as  indústrias  et r a n s p o r t e   d o s   p r o d u t o s   i n d u s t r i a l i z a d o s   p a r a   o s   m e r c a d o sconsumidores. A revolução nos  transportes deu-se com a  invenção dalocomotiva e da navegação a vapor

A  locomotiva  foi  inventada em 1830, por George Stephenson. Anavegação  a  vapor  foi  uma  invenção  norte-americana  –  os  clippers -destacando-se  o  inventor  Fulton,  que  projetou  o  navio  C l e r m o n t epercorreu, em 1803, o rio Hudson.

As locomotivas e a navegação a vapor distribuíam as mercadoriasa longas distâncias e por preços reduzidos.

No  aspecto  político,  a  Revolução  Industrial  veio  consolidar  oliberalismo  econômico, solidificando o modo de produção capitalista. Omodelo  de  Estado  Liberal,  já  existente  na  Inglaterra,  é  difundido  nospaíses que se industrializam ao longo do século XIX.

Do ponto de vista social e político, o industrialismo fez surgir umanova classe social o  proletariado,  e  com  ela  o  início  de  uma  luta  declasses entre a burguesia e o proletário.

A  luta  de  classes  é  resul tado  do  antagonismo  ent re  ostrabalhadores  e  os  patrões.  Antes  do  surgimento  das  fábricas,  otrabalhador artesão dominava todo o processo de produção e controlavao seu  tempo de  trabalho; com as  fábricas, o  trabalhador passou a  terque  se  adaptar  ao  ritmo  da  máquina,  perdendo  o  controle  sobre  oprocesso  produtivo  –  pois  ele  não  é  o  dono  da  máquina  –  e  sobre  otempo – este passa a ser determinado pela máquina. Para adaptar-se aoritmo da máquina, foi imposto ao trabalhador uma rígida disciplina, commultas e castigos.

Além  disto,  as  condições  de  trabalho  eram  muito  precárias,também havia uma enorme exploração do trabalho infantil e feminino,cujos  salários  eram mais  baixos  que  os  dos  homens.  As  jornadas  detrabalhos ultrapassavam as catorze horas diárias…

Como forma de reação a esta situação, a classe operária organizamovimentos para  conquistar melhores  condições de  trabalho, assuntoque será abordado mais adiante.

Outra conseqüência da Revolução Industrial foi o desenvolvimentodas  cidades  –  o  urbanismo .  Houve  um  crescimento  populacionalenorme  nos  centros  urbanos,  que  concentravam  as  oficinas,  fábricas,armazéns  e moradias  dos  trabalhadores. A  concentração  populacionalnas cidades, que não apresentavam infra-estrutura para tanto, causounovos  problemas  de  saúde,  de  habitação  e  de moradia.  As  precáriascondições  de  vida  e  de  trabalho  da  classe  trabalhadora  tornou  oalcoolismo um grave problema urbano.

 

Conclusão

 

A  Revolução  Indust r ial   cont r ibuiu  para  um  a u m e n t o   d aprodução, para uma concentração  industrial, para a divisão  dotrabalho e para a consolidação do capitalismo liberal.

Estabeleceu  uma  nova  forma  de  t rabalho  –   o   t r a b a l h oassalariado e favoreceu o processo de industrialização na agricultura.

A  partir  da Revolução  Industrial  ocorre  um  enorme  crescimentopopulacional e o surgimento das cidades.

No  plano  ideológico,  as  péssimas  condições  de  trabalho  dosoperários – os produtores da riqueza – favorecem o desenvolvimento denovas  idéias,   idéias  que  cr i t icam  o  capi tal ismo;   pregando  suadestruição, trata-se do SOCIALISMO.

 

O Socialismo.

 

As  péssimas  condições  de  vida  dos  operários,  provocadas  pelaindustrialização, levaram alguns pensadores a buscar soluções para osproblemas  surgidos.  Surgiram  então  idéias  reformistas,  procurandoconstruir  uma  nova  sociedade,  onde  houvesse  igualdade  social,eliminando a exploração do homem sobre o homem.

O conjunto desta idéias fundamentou o pensamento socialista, quepode  ser  dividido  em,  basicamente,  duas  correntes:  a  dos  socialistasutópicos e a dos socialistas científicos.

Antes  da  análise  das  correntes  do  socialismo,  faz-se  necessáriouma  apresentação do movimento  operário, que  reivindicava melhorescondições de trabalho.

Primeiramente,  a  reação  da  classe  trabalhadora  contra  aspéssimas condições de trabalho deu-se pela quebra das máquinas, foi ochamado movimento  ludista; em seguida, os trabalhadores iniciaramsua organização para conduzir melhor o movimento operário, surgindoassim as trade unions, as uniões operárias. Dentre estas organizaçõesoperárias,  destacou-se  o  movimento  car t ista,  na  Inglaterra  –  aAssociação  de  Operários  elaborou  uma  petição  de  direitos  (  Carta  doPovo ), apresentada ao Parlamento que reivindicava: sufrágio universalrestrito aos homens; votação secreta; representação igual para todas asclasses no Parlamento. O movimento cartista representou um confronto ent re  a  classe  operár ia  e  a  burguesia,   resul tando  disto,   umanecessidade;  por  parte  da  classe  operária  de  melhor  conhecer  ofuncionamento da sociedade capitalista.

Os  sindicatos,  surgidos  no  final  do  século  XIX  foram  evoluçõesdestas  trade  unions,  que  passaram  a  organizar  as  lutas  da  classetrabalhadora.

CORRENTES DO SOCIALISMO.

SOCIALISMO UTÓPICO

Corrente que  idealizava uma nova sociedade e acreditava atingiresta nova sociedade sem luta de classes, mediante reformas pacíficas.Os  principais  socialistas  utópicos  foram:  Saint-Simon  (  1760/1825),Charles  Fourier  (1772/1837),  Robert  Owen  (1771/1859)  e  Proudhon(1809/1865)

Entre os precursores do socialismo utópico, pode-se  identificar aobra de Thomas Morus, Utopia, publicada em 1506 e que idealizava umasociedade  igualitária- atacando a propriedade privada; no século XVII,durante a Revolução Puritana, temos a ação dos niveladores; grupo deartesãos e dos escavadores – proletários urbanos e rurais sem  terras,que defendiam a igualdade social. Durante a Revolução Francesa, GracoBabeuf pregava uma República igualitária.

SOCIALISMO CIENTÍFICO

Os principais teórico desta corrente foram Karl Marx ( 1818/1883)e Friedrich Engels ( 1820/1895).

O  socialismo  científico  critica  a  visão  idealista  do  socialismoutópico e coloca a classe operária como uma classe revolucionária. Opensamento desta corrente é baseado em dois fundamentos:

- a História é resultado da luta de classes;

- a  classe  operária  deve  construir  a  nova  sociedade,  que  seriaal icerçada  na  igualdade  social ,   impondo  a  di tadura  doproletariado  –  transição  para  a  construção  de  uma  sociedadesocialista.

A  sociedade  socialista,  apresentada  por  Marx  e  Engels,  nãoapresentaria a propriedade privada dos meios de produção- o Estado seapoderaria dos bens de produção; o objetivo da produção não seria maiso lucro individual e sim atender os interesses coletivos e o Estado seriao responsável pelo retorno da riqueza à coletividade.

Marx e Engels fundaram, em 1847, a Liga Comunista e, no ano de1848, publicaram o Manifesto Comunista, cuja divisa será “proletáriosde todos os países, uni-vos”.

SOCIALISMO CRISTÃO

Postura  da  Igreja  Catól ica  que  cr i t icava  a  exploração  docapitalismo, porém vai criticar a teoria da luta de classes, defendida pelosocialismo. Para a Igreja Católica, deveria haver uma harmonia entre osinteresses  da  classe  trabalhadora  com  os  patrões.  A  Igreja  procurouconciliar capital e trabalho através da encíclica Rerum Novarum.

O ANARQUISMO

Corrente que identifica o Estado como a origem de todos os males.Defendem, além do fim da propriedade privada, a eliminação do Estado.Entre seus principais representantes temos Bakunin e Kroptkin.

As  idéias  socialistas  serão  postas  em  prática  nos  movimentosrevolucionários de 1848 e 1871. Em 1917, a Rússia transformou-se noprimeiro Estado socialista.

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